“Equipe de enfermagem nos tratou de forma extremamente ofensiva”, diz filha de paciente sobre o UPA de Itapeva

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Ana Michele estava acompanhando sua mãe, Sonia Lahoud, durante atendimento. Segundo ela, a sensação é de descaso.

A forma de como foi recepcionada e acolhida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapeva incomodou Sonia Lahoud nesta última quarta-feira (10). De acordo com sua filha, a farmacêutica Ana Michele, de 29 anos, o tratamento foi extremamente ofensivo, grosso e humilhante. Para ela, a sensação é de descaso.

Sonia, de 50 anos, estava com gripe e não se sentia bem, quando decidiu procurar ajuda médica. Foi ao UPA na quarta-feira (10), às 19h. Segundo Ana, o desrespeito começou durante o acolhimento. “Nós estávamos na sala de triagem. Uma das enfermeiras pediu pra minha mãe sentar porque precisava aferir sua pressão arterial, porém, nesse momento ela pegou no ombro da minha mãe e empurrou pra ela encostar na cadeira. Não havia necessidade disso se ela pedisse e não empurrasse”, conta.

Sentada ao lado da filha durante entrevista para a reportagem do Sudoeste Notícias, Sonia visivelmente fica emocionada. A euforia e tristeza vêm ao lembrar por toda humilhação e grosseria que passou, disse ela. A filha complementa dizendo que não parou por aí. “Além de empurrar minha mãe pelo ombro, a enfermeira chegou ao ponto de empurrar a perna dela também. Ela estava com a perna cruzada, a moça veio e empurrou pra ela esticar, dizendo que tinha que ficar com a perna esticada. Sem contar que também teve agressão pra aferir a pressão arterial dela. Elas colocaram duas vezes e não conseguiram, aí na terceira fez ela agiu com grosseria. Depois que fomos descobrir que não conseguiam aferir a pressão porque o aparelho foi colocado de forma errada”, relata.

“Além de empurrar minha mãe pelo ombro, a enfermeira chegou ao ponto de empurrar a perna dela também” – Ana Michele, filha de Sonia Lahoud

Ana salientou ainda que durante o atendimento aos pacientes acontecem muitas conversas paralelas, que não tem nada a ver com o serviço. “É bate-papo, conversinha, contar piada, dar gargalhada na frente dos pacientes. Ninguém vai ao UPA por bonito, as pessoas vão porque estão doentes. As pessoas não estão felizes por estar ali, e as enfermeiras não tem respeito por esse motivo. Eu não digo os médicos porque eles ficam sozinhos na sala e não tem distração. Já as enfermeiras têm”, frisa. A mãe também lembrou que as enfermeiras agiram com ironia e sarcasmo.

Sonia, de 50 anos, estava com gripe e não se sentia bem, quando decidiu procurar pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Foto: Reprodução/PMI

Sonia, de 50 anos, estava com gripe e não se sentia bem, quando decidiu procurar pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Foto: Reprodução/PMI

IDENTIFICAÇÃO - Durante o atendimento, mãe e filha estranharam o fato de uma das enfermeiras não usar crachá. “Minha mãe perguntou pra uma delas o nome, e a outra já estava com o crachá, que se chama Ana Paula. A outra se chama Débora, e estava sem crachá. Ana Michele, que também trabalha com saúde, disse que estranhou a falta de identificação. Me causou uma grande dúvida, porque eu sou farmacêutica e só trabalho de branco. Meu jaleco fica no carro o tempo todo, e até perguntei pra ela: se eu for ao carro, pegar meu jaleco, também posso entrar e começar a trabalhar aqui no UPA?”, disse. Outra enfermeira que estava na sala durante a situação disse que Débora não estava devidamente identificada por ser iniciante e não precisa de crachá. Segundo o secretário municipal de Saúde, Luiz Tassinari, isso não pode existir. “Todo funcionário público, principalmente na UPA, deve estar com o crachá de identificação. Qualquer tipo de serviço público ou de saúde a pessoa deve ficar identificada, caso algum paciente precise chamar pelo nome ou identificar em algum problema. Principalmente para identificar quem é funcionário e quem não é dentro da UPA”, explica.

“Todo funcionário público, principalmente na UPA, deve estar com o crachá de identificação” – Luiz Tassinari, secretário municipal de Saúde

PROVIDÊNCIAS - No final da situação, Sonia preferiu ir embora e não ser atendida, após todo estresse que passou. Sua filha entrou em contato com a Vigilância Sanitária do município, com os representantes legais e comunicou o disque denúncia da Saúde. Dois dias após o acontecido, na sexta-feira (12), Sonia passou mal pela madrugada, teve crise e não conseguia respirar. Segundo sua filha, quase entrou em óbito. Foi internada às pressas na Santa Casa de Itapeva. De acordo com o laudo médico, o motivo foi uma crise emocional forte.

RESPOSTA - Em resposta à nossa equipe de reportagem, o secretário municipal de Saúde, Luiz Tassinari, disse que qualquer tipo de denúncia ou reclamação deve ser feita por escrito na própria Secretaria. “Nós não temos condições de ver todas as reclamações que acontecem, e infelizmente, vou falar infelizmente porque eu não tenho tempo de ficar vendo postagem em Facebook ou qualquer coisa desse tipo. Toda e qualquer tipo de reclamação feita são apuradas, a gente leva, se for necessário a gente chama as partes e abrimos processo administrativo.”, diz.

DISQUE DENÚNCIA - O secretário lembrou ainda que redes sociais não é canal oficial para reclamação. Segundo ele, há um ‘0800’ pra isso. “O canal para reclamação é o 0800 770 53 50. A pessoa faz essa reclamação, a gente anota, tem um protocolo pra essa pessoa onde ela pode acompanhar esse processo, as pessoas envolvidas são chamadas para dar sua versão, se as pessoas daqui acharem por bem que essas pessoas devem sofrer algum tipo de punição, passa por uma comissão e então tomarão as devidas providências”, finaliza. De acordo com a responsável pelo disque denúncia de Itapeva, Marcia Barros, o serviço funciona das 08h às 17h de segunda à sexta-feira. “As reclamações podem ser feitas tanto anônimas, quanto identificadas. Contudo, a reclamação que é tida como anônima pra nós ela é apenas como base pra números, só pra histórico. Nós não temos como avaliar se a reclamação é verídica ou não. Por isso é importante que ela se identifique, diga que dia aconteceu o fato, qual unidade, que horário ele teve e qual servidor atendeu. Após fazer a denúncia é muito importante anotar o número de protocolo também. O grande problema é que passado o prazo que damos geralmente os reclamantes não voltam buscar a resposta”, explica.

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