Roseiral: o hobby que virou trabalho

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Sem curso algum, Márcia Pimentel descobriu inseticidas e nutrientes naturais para as plantas. Produtora cultiva hoje cerca de dez mil pés de rosa.

Que mulher não gosta de ganhar flores? Ainda mais quando são rosas. Por mais que alguma responda que não, o agrado arranca ao menos um sorriso tímido até mesmo das mais duronas. Segundo a funcionária pública, Marisa Valadares, a flor ganhou um espaço em seu coração por culpa do namorado. “Certa vez meu namorado me deu rosas vermelhas durante 15 dias seguidos. Nunca mais me esqueci dele”, recorda enquanto ri.

A professora de ensino fundamental, Márcia Regina de Oliveira Pimentel, também é outra que ama flores, principalmente rosas. O amor foi tanto, que comprou dez mil pés para cultivar, no começo por hobby. “Nós temos um amigo na cidade de Paranapanema que foi o grande informante. Ele deu a dica pra eu iniciar o cultivo. Inclusive as mudas que comprei vieram todas de Paranapanema e Holambra”, recorda.

Márcia Pimentel iniciou o cultivo por hobby. Foto: Felipe Johnson/SN

Márcia Pimentel iniciou o cultivo por hobby. Foto: Felipe Johnson/SN

Márcia conta que nunca fez nenhum curso, e aprendeu tudo na curiosidade. “Pega informação de um, de outro, pesquisa aqui, pesquisa ai, e assim foi. E está dando certo”, conta. O que era apenas um hobby se tornou trabalho, e até mesmo um ‘ganha-pão’. Após dois anos com o roseiral, Márcia atende todo mês desde donas de casa que procuram por um lindo vaso de flor pra enfeitar a casa até as floriculturas e atacadistas de Itapeva e Holambra, cidades do interior de São Paulo.

Por incrível que pareça, a rosa não é algo fácil de mexer. Não pelos inúmeros espinhos que a rodeiam, mas pelo cuidado único e detalhista que a planta exige. Tudo começa com a muda, e é lá na chácara Colina da Brisa onde a mágica acontece. “Primeiro colocamos a muda na terra, que já foi preparada antes. Depois você aduba e vai cuidando. Após cinco meses começam as primeiras vendas”, explica.

A produtora de rosas é contra o alto uso de agrotóxicos, veneno e qualquer outra coisa que cause algum mal às plantas e à natureza. Na casa, quando vai cozinhar usa a maior parte do tempo fogão à lenha. Na terra, não é diferente. Sem curso algum, Márcia descobriu com o tempo nutriente e controle de pragas naturais, como a acícula de pinus, por exemplo, que protege de praga e mantém a flor intacta naturalmente. O adubo é esterco de gado. Quando tem que usar qualquer tipo de produto químico, diz que prefere em pouca quantidade. “Nós controlamos o mínimo de agrotóxico. Com as inúmeras pesquisas que fiz descobri uma flor conhecida como ‘cravo de defunto’, que é um defensivo natural. Para a contenção de vento usamos o napiê. Na adubagem, o esterco de gado. Até na hora de irrigar optamos pela irrigação por queda, que usa menos água. São descobertas que fazemos no dia-a-dia”, detalha.

Produtora de rosas tenta usar o mínimo de agrotóxico. Foto: Felipe Johnson/SN

Produtora de rosas tenta usar o mínimo de agrotóxico. Foto: Felipe Johnson/SN

CUIDADOS - A rosa é mais sensível do que imaginamos. A produtora conta que no momento do cultivo, toda a emoção de quem está fazendo o trabalho é passado para a planta, portanto, nada de trabalhar estressado. Tanto cuidado assim também deve ser levado pra dentro de casa, quando o consumidor decide comprar ou ganha uma rosa. “Pra manter é fácil. Basta colocar a rosa em uma jarra ou vaso com água e simplesmente adicionar uma colher de chá com açúcar. Isso vai manter a flor até o dono decidir dar um fim a ela”, ensina.

PALADAR - Recentemente, o uso da rosa saiu de uma mera decoração e caiu no paladar do brasileiro, sendo constantemente usada em saladas e outros pratos. Já tem até gente produzindo rosa comestível. Márcia é uma delas. Mesmo sendo um produto exótico, a produtora conta que deve haver muito cuidado na hora de comprar. “Essas rosas comestíveis recebem todo tratamento pra ir bonita pro comércio, afinal, ela tem que estar linda pra conseguirem vender, o problema é que o cliente nem sempre sabe como este produto é produzido. Aqui na Colina da Brisa nós colocamos somente coisas naturais. Nosso adubo é o esterco de gado, inclusive o gado é nosso, então sabemos o que ele está comendo. Fazemos o controle somente com óleo de nem, cauda de fumo e a cinza vem do meu fogão à lenha. Tudo isso é usado no controle de pragas, tanto fungicida quanto inseticida”, relata.

Além de rosas, Márcia comercializa áster, mais conhecido como “mosquitinho”. Suas rosas são vendidas em pacotes com 20 unidades, e em três medidas: cabo de 40 cm, 50 cm e 60 cm. A produtora atende tanto atacado, quanto varejo e ainda conta com decorador próprio. O contato pode ser feito pelo telefone (15) 9 9797-8394.

Aprendizado veio de pesquisas e dicas de amigos. Foto: Felipe Johnson/SN

Aprendizado veio de pesquisas e dicas de amigos. Foto: Felipe Johnson/SN

Entre tantos defensivos naturais, o conhecido 'Cravo de Defunto' foi um deles. Foto: Felipe Johnson/SN

Entre tantos defensivos naturais, o conhecido ‘Cravo de Defunto’ foi um deles. Foto: Felipe Johnson/SN

Rosas são vendidas em pacotes com 20 unidades. Foto: Felipe Johnson/SN

Rosas são vendidas em pacotes com 20 unidades. Foto: Felipe Johnson/SN

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